sábado, 19 de dezembro de 2009

Burrice saudável

Churrasco com os alunos. Típica confraternização de final de ano, a não ser por algumas particularidades: 1) Você é o mais velho, aquele que inspira responsabilidade e calma. 2) Se houver alguma zebra, todos recorrerão à você, e se algo der errado, a culpa será sua. 3) Todos confiam em você para acender o fogo da churrasqueira.

Nessa festa ocorre algo interessante: É uma das únicas confraternizações de que me lembro onde não existiu nenhuma fagulha de falsidade, nem grupinhos que se odeiam e que rezam para alguém escorregar e bater a cabeça na borda da piscina. Todos em perfeita harmonia, batendo bola, arrancando o tamboque do dedo do outro, arrotando discretamente, escondendo o bucho ou as celulites. Todos figuraças.

Você, como bom líder que é, não gosta de centralizar as decisões, e delega tarefas para outros, fazendo com que todos se sintam úteis e responsáveis, no complexo teatro das festas de fim de ano. Entre as tarefas delegadas, ficou a de acender o fogo da churrasqueira. O que se propôs a acender, chegou e disse: Sempre acendo a churrasqueira nos churrascos lá em casa. É mole

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Tentar escrever algo sem parar e sem pensar muito, só pra ver no que dá. Tente o máximo de tempo possível manter seus dedos trabalhando, parando apenas para consertas erros de português. Parece que a burrice acompanha os idealistas. E já pararam para pensar no que significa realmente idealista? Porque as pessoas só pensam nessa palavra no cunho político? Pelo menos, a maioria delas.

Cada dia que passa, eu só consigo pensar que a burrice é, ao mesmo tempo, uma benção e uma mazela, e que sempre caminhará com esses dois gumes, ao lado dos idealistas. Idealizar algo, ou alguém, é muito mais fácil do que idealizar a si mesmo. A decepção que se tem quando o que se quebra é o ideal que você tinha de você mesmo, é de cunho muito mais violento e nocivo.

Sempre lutamos para melhorar como pessoa. São raríssimos os indivíduos que se sentem satisfeitos consigo mesmo. Nem vou entrar no mérito se isso é bom ou não, porque daria uma discussão totalmente inútil e, ainda por cima, infinita. Mas o fato é que sempre tentamos vencer nossos defeitos. Sempre tentamos ser pessoas melhores, com mais atrativos. E isso não é para que os outros vejam ou percebam. Isso é para nós mesmos. Também não tem - muito - a ver com ego. É simplesmente uma satisfação de dever cumprido. De ter melhorado como pessoa falível, que todos somos.

Mas melhorar é muito difícil. E quando não conseguimos, idealizamos. O perigo maior é dar a essas idealizações, status de verdades. O clássico "sonhar acordado". É muito triste ver uma pessoa de 23 anos de idade, completamente desiludida e frustrada. Mesmo vivendo tão pouco.

Falta propósito. Os que você elegeu, surgem intangíveis.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Why?

"Starting from zero we've got nothing to lose"

De vez em quando nós desejamos tirar férias das coisas que sentimentos, ou, como eu costumo dizer, tirar férias de alguns erros que cometemos, e cometeremos até o fim de nossas vidas. Aqueles murros em pontas-de-faca, os quais nunca conseguimos nos livrar. Aí vem todo aquele papo de amadurecimento, evolução, desenvolvimento, e todos esses conceitos que podem ser usados na auto-ajuda, a depender de quem os utiliza.

Às vezes não nos importamos em ser covardes; em colocar a cabeça dentro de um buraco e esperar a tempestade passar, ainda que sua bunda fique exposta. Como você não vai ver, tá tudo certo. Mas isso não quer dizer que o cansaço não apareça e, como sempre, não frustre. Sempre vemos em filmes bestas, cenas de personagens que resolvem largar tudo, ou simplesmente dar uma guinada na vida, usando uma outra ótica sobre sua existência, etc.

Mas isso não é inteiramente necessário. Na verdade, recomeçamos todos os dias. Quando saímos de casa, seja para a praia beber, seja trabalhar ou estudar, partimos em busca de algo, que muitos não sabem sequer o que é. Saímos a espera de encontrar um alvo certeiro que possa nos seduzir, e aí sim, depois disso, começarmos a descer a âncora, parando um pouco de procurar.

Será que não temos mesmo nada a perder, quando começamos do zero? Aliás... Será que é possível começar do zero?

Não.

sábado, 26 de setembro de 2009

Hoje o tempo voa, amor.

Ouvindo essa obra prima do mestre Lulu (sim), me lembrei de uma parte muito significativa da minha infância. Me lembro que, de 1 ano de idade, até uns 15, 16, eu ia todos os fins-de-semana para a minha casa de praia, em São José. E, nas férias de Janeiro, ia também. Chegava depois do ano novo, colocava uma sunga e só tirava dia 31. Ela praticamente andava sozinha pela praia, tamanho era o uso. Em São José, minha casa vivia sempre cheia de gente. Cheia de gente sorrindo. Era sempre alguém entrando com carne pra churrasco, com gelo pras bebidas, com braços abertos pra abraçar.

Na frente da casa, haviam duas árvores, que davam umas flores amarelas, que não serviam pra muita coisa, a não ser se configurar como as duas traves das peladas que rolavam ali, todo santo dia. Começou comigo bem jovem, e, depois, foi se transformando numa rivalidade forte, com Rodrigo, meu vizinho. O cara sempre jogou muito melhor que eu, mas eu era bem melhor goleiro que ele, o que deixava tudo empatado. O desempate, geralmente, eram as malditas pedrinhas que se escondiam na areia, que sempre tiravam metade do dedo de algum infeliz.

O quintal da casa era bem amplo. Tinha um chuveirão, pra quem vinha da praia. A pessoa entrava pelo lado da casa, pra não sujar a sala (segundo mãe) e ia direto tirar o sal no chuveirão. Ele era ligado diretamente no cano da caixa d'água, ou seja, água fortíssima. Cura ressaca, diziam alguns. Quantas vezes não tomei esporro por esvaziar a caixa só por tomar alguns minutos a mais aquele banho maravilhoso.

Mas, sem dúvida, o que mais me lembro, e o que mais sinto falta, obviamente, é do caseiro. Aliás, caseiro o caralho. Seu Edílson. Até hoje não encontrei pessoa mais pura, honesta, e íntegra do que ele. Uma pessoa com um sorriso puro, que tinha o lúdico nos olhos, ao ponto de jogar barra-barra com uma criança de 8 anos, e não parar de fazê-lo até os 16 anos. Muitos anos de vitórias, derrotas, "tamboques" de dedo e, acima de tudo, felicidade. Que cara sensacional.

Íamos visitar os hippies, na praça da cidade. Todos um bando de cachaceiros que colocavam roupas de hippies durante a alta estação. Conhecia todos, e Edílson também, comprávamos colares do Bob Marley a preço de custo. Não éramos turistas! Lembro da risada dele, e do fato de quase ser demitido por não comer 8 ovos que ficaram na geladeira por 8 meses, simplesmente porque meu pai não tinha dito para ele comer.

Me ajudava demais, simplesmente sorrindo pra mim, pescando com cara de bambu em jangadas ancoradas no mar. Não fazíamos idéia de quem eram as jangadas, mas e daí? Também não pegávamos peixe nenhum mesmo. Mas os meses de Janeiro eram, sem dúvida, os que eu me sentia mais vivo. Mais completo. Tinha um amigo de quase 40 anos que, sem qualquer tipo de instrução, era mais honesto e prazeroso do que qualquer outro.

Sinto muita falta de Edílson, que, depois de quase 17 anos, não pôde ficar conosco, por conta da falta de grana. Espero, do fundo do coração, que esteja bom. Tem gente que nasceu pra ser feliz. Se Edílson nasceu assim, não sei, mas a felicidade está em cada gesto dele. Eu lembro.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Lágrimas.

O menino quase nunca chorava, apesar de ter motivos para tal.

Ocorriam os mais diversos problemas, de toda ordem emocional, para com ele diretamente e com sua família. Isso, obviamente, respingava nele. Apesar de se dizer racional e independente, ele tem determinadas raízes muito bem fincadas com seu pai e sua mãe. Mas, mesmo assim, o menino não chorava. Quando havia algum problema ou situação onde o choro seria uma reação esperada e completamente normal, ele reagia com raiva, com um excesso de atitude, visando encerrar aquilo o mais rápido possível. Era raçudo ele. Muitos diziam que ele se fazia de forte. Que não queria preocupar ninguém; que não queria ser mais um estorvo, causando comoção em outras pessoas, já tão assoberbadas, com seu choro inútil. Nada disso.

Ele tinha um problema maior: O menino não conseguia chorar. Passava meses, semestres, anos sem conseguir derramar uma lágrima sequer. Muitas vezes ele forçou seus olhos, tentando buscar alguma resposta dentro deles, para seu rosto ficasse inchado, e os olhos vermelhos, para assim sua face tornar-se mais fiel com o que ele sentia dentro de si mesmo. quase nunca obtinha sucesso. Ele não chorava, e as pessoas ficavam espantadas com isso. Não era aquilo que elas esperariam de uma pessoa normal. E exatamente por isso, ele tentava chorar: Porque era exatamente aquilo que os outros esperariam. Seria o compreensível.

Mas ficava tudo dentro dele. O menino dizia que "chorava pra dentro", que as lágrimas caiam dentro de seu corpo, pois seus olhos pareciam secos para o lado de fora. e olhe que o garotão já havia passado por situações-limite, de cunho emocional. Mas ele parecia ter uma dificuldade acima do comum de chorar. Nada a ver com machismo ou qualquer outro "ísmo" idiota. Ele simplesmente não encontrara situação que explicasse e/ou definisse tal ato (ou falta de ato). Ele sempre fora muito preocupado com o que as pessoas estavam esperando dele. E, em virtude disso, ficava decepcionado quando não conseguia transmitir para os demais, o que ele queria que vissem.

Foi exatamente isso que fez o garoto chorar de novo. E como foi boa a sensação. Sofrer, e conseguir traduzir isso em lágrimas. Abundantes, caudalosas e sinceras. Ele chorou, e ao mesmo tempo parecia satisfeito, por ter desafogado, pelo menos um pouco, suas mazelas em uns pingos d'água. O piso do seu quarto, mais especificamente onde fica a cadeira de estudos, ficou tremendamente escorregadio. Enxugou com um par de meia sujo, que sempre estava por perto. O menino chorou, chorou. Buscou respostas e, subitamente, muitas delas apareceram.

Sua cabeça parecia estar tão cheia de lágrimas represadas, que não havia espaço para as respostas passarem.

domingo, 26 de julho de 2009

Blackfield

Sabe quando você para e começa a pensar na sua vida, naquelas retrospectivas super completas de 5 minutos? Geralmente, isso ocorre quando colocamos a cabeça no travesseiro, uma vez ou outra. Pode ser do dia que passou; de um trabalho concluído, de sua infância até certo ponto. Enfim, o intervalo temporal pode ser definido de qualquer forma, a gosto do freguês.

E às vezes, quando eu faço essa retrospectiva, um sentimento é muito recorrente: O de que minha vida e minhas atitudes andam em círculos. Que eu simplesmente não consigo andar pra frente. Que minha preguiça e insegurança me fazem não atingir minhas metas traçadas. Parece que eu sempre tenho que olhar para trás para buscar alguma solução, e não pra frente.

Por que para mim não existe o futuro. Não existe a perspectiva dele. Tenho sonhos, como todas as pessoas têm. Quero realizá-los, como todos os outros. Mas existe uma sensação de que esse tipo de realização não funcionará comigo.

Mas o fato é que, de vez em quando, andar em círculos é uma coisa surpreendentemente boa. Um amigo que lhe liga no meio da noite, depois de um dia difícil, e lhe chama para conversar. Um amigo que não tinha intimidade com você sobre assuntos pessoais dele, e de repente vê em você uma pessoa útil. Utilidade.

Ao redor da mesa, mais dois colegas, que você queria demais que subissem de posto na classificação social. Colegas o cacete. É uma sensação doentia de tentar ser amado, ou simplesmente saber que as pessoas sentem prazer em ter sua companhia. Mesmo fazendo tantas coisas erradas, e tendo tantos problemas de foco.

Eu não sei vou conseguir alguma coisa de relevante para mim, na vida. Eu sei que, quando eu morrer, seu serei lembrado por um tempo, e depois serei relativamente esquecido, como todas as pessoas normais são. Mas eu acho que consegui gravar alguma coisa de importante na vida de determinadas pessoas. E isso, para mim, soa como uma vitória. Como um objetivo alcançado.

Não tenho pensado em outra coisa, se não no amor.

O mês de férias está acabando, e eu tenho exatamente as mesmas metas que tinha quando o mês de férias do começo do ano terminou. Ou seja: Não andei. Vamos ver agora.

sábado, 4 de julho de 2009

Take a Picture.

Sabem, eu sempre fui uma pessoa constantemente decepcionada comigo mesmo, com um sem-número de pessoas e com a vida em geral. Sempre enxerguei um potencial imenso de felicidade que não é aproveitado. Por mim. Sempre pensei que poderia ser muito mais feliz do que sou, se conseguisse aproveitar tudo que a vida tem para oferecer. Por algumas razões, não posso ou não consigo.

Mas sempre obtive uma excelente fuga nos filmes. Certos filmes me dão muito mais esperança do que qualquer conversa com pai, mãe ou amigos. Certos filmes que vi e não me canso de ver quantas vezes eu puder, me fazem sempre acreditar de que a felicidade é possível como é visto neles. Não sei se realmente é, mas o notório é que, depois que eles terminam, sem vem um sorriso imenso no meu rosto, e uma vontade de chorar. Um choro de redenção. Tipo um "vai lá, porra!"

Um filme em especial, o qual não direi o nome aqui, por que muitos não entenderão, e que acabei de ver (são 4 da manhã), sempre me faz acreditar, sempre me faz ter fé. Uma fé que faz questão de não me largar, apesar de eu já a ter largado várias vezes. Muitas pessoas fazem uma imagem de mim como uma pessoa que eu simplesmente não consigo enxergar. Mas são tantas as pessoas que têm a mesma imagem, que eu começo a me perguntar se o errado e o burro não sou eu. Muito mais fácil que diversas pessoas estejam certas, do que apenas uma, creio eu.

Esse filme me fez ver que, às vezes, é preciso transpor limites, ou até mesmo criá-los, quando não se tem, para ser feliz. Rever conceitos e atitudes, e principalmente opiniões sobre si mesmo. Sobre o que é importante para você. Como se fosse uma foto. Incrível como esse filme, cheio de sorrisos e momentos bonitos, me fez ter vontade de escrever esse tópico, e em especial algumas frases que colocarei no final do post.

Muitas vezes, quando vemos alguém morrendo, ou uma pessoa que está prestes a morrer, mas que subitamente consegue se salvar, ouvimos delas que queriam dizer a muitas pessoas o quanto as amavam, mas que acharam que não teriam a oportunidade. Isso é verdade. A maioria das pessoas deixa passar esse tipo de sentimento ou atitude, a achando vergonhosa ou desnecessária.

Pois bem. Não se sabe o dia de amanhã, nunca sabemos o que acontecerá conosco, visto que não temos qualquer controle sobre nada. Tem tanta gente que eu amo, cada um à sua maneira, tanta gente que eu gosto, que chega dói. Eu amo muito, muitas pessoas. Queria que todas elas fossem muito, mas muito felizes. Mas não sei se terei a oportunidade de dizer isso a cada uma delas. Vou me esforçar ao máximo para cumprir isso.

Como num filme, essa declaração, quando sincera, pode fazer muita gente rever o modo de viver, e de ver a vida. Valores absolutos como amizade; comprometimento; companheirismo e amor, são baluartes que não podem ser separados da vida. Esses valors nos movem, nos fazem sorrir.

Nos dão esperança.

Eu amo muita, muita gente. Esse filme me fez ver isso com uma clareza maior do que eu sempre vi. Devia viver dentro de um cinema, devia viver em um lugar onde eu conseguisse ser sincero sem ser considerado frágil.

Amo vocês pra caralho. Sempre amarei, mesmo que às vezes não pareça. Amo muito, mesmo que sinta dor. "Can everyone agree that no one should be left alone"

Infelizmente, muitos serão deixados pra trás. Mas eu queria deixar aqui registrado. Fibra moral.